O candlestick — ou simplesmente “candle” — é a forma mais usada de representar preços em gráficos. Em um único desenho, ele resume quatro informações sobre um período: o preço de abertura, o de fechamento, a máxima e a mínima.

Um pouco de história

A técnica é atribuída a comerciantes de arroz do Japão no século XVIII, frequentemente associada ao comerciante Munehisa Homma. Ela chegou ao Ocidente bem mais tarde, popularizada no fim do século XX, e hoje é padrão em praticamente todas as plataformas de gráficos.

Anatomia de um candle

Cada candle tem duas partes:

  • Corpo: o retângulo entre o preço de abertura e o de fechamento.
  • Sombras (ou pavios): as linhas finas acima e abaixo do corpo, que mostram até onde o preço chegou — a máxima e a mínima do período.

E uma cor:

  • Candle de alta (geralmente verde ou branco): o fechamento ficou acima da abertura.
  • Candle de baixa (geralmente vermelho ou preto): o fechamento ficou abaixo da abertura.

Na prática, o candle conta uma pequena história da disputa entre compradores e vendedores. Um corpo grande de alta com sombras curtas sugere que os compradores dominaram o período. Uma sombra superior longa mostra que o preço chegou a subir bastante, mas foi rejeitado e voltou.

O tempo gráfico muda tudo

Cada candle representa um intervalo de tempo escolhido por você: 1 minuto, 15 minutos, 1 hora, 1 dia, 1 semana. O mesmo ativo pode estar em alta no gráfico semanal e em queda no gráfico de 15 minutos. Por isso, sempre saiba em qual tempo gráfico você está olhando e compare com tempos maiores para entender o contexto.

Alguns formatos conhecidos

Existem dezenas de padrões catalogados. Três aparecem em praticamente todo material introdutório:

  • Doji: abertura e fechamento praticamente iguais, corpo quase inexistente. Indica equilíbrio ou indecisão naquele período.
  • Martelo: corpo pequeno na parte de cima e sombra inferior longa. Mostra que o preço caiu bastante durante o período, mas se recuperou.
  • Engolfo: um candle cujo corpo “engole” completamente o corpo do candle anterior, na direção oposta.

O mais importante: contexto

Um padrão de candle, isolado, diz muito pouco. O mesmo martelo tem significados diferentes se aparece depois de uma longa queda, no meio de uma lateralização ou perto de uma região de suporte relevante. Antes de dar peso a um candle, pergunte:

  1. Qual é a tendência predominante nos tempos gráficos maiores?
  2. O candle aparece perto de alguma região de preço importante?
  3. O volume do período confirma ou contradiz o movimento?

Padrões funcionam como pistas, não como sinais automáticos. Muitos deles falham com frequência — e é justamente por isso que a gestão de risco precisa andar junto com a leitura de gráficos.

Exercício prático

Abra o gráfico diário de um ativo em qualquer plataforma gratuita e, sem se preocupar em prever nada, descreva os últimos dez candles: quem dominou cada dia? Houve rejeição de preços? Onde estão as sombras mais longas? Repetir esse exercício é a forma mais rápida de treinar o olhar — sem arriscar um centavo.


O conteúdo da Big Ensina tem finalidade exclusivamente educacional e não constitui recomendação de investimento, oferta ou consultoria. Investimentos envolvem riscos, inclusive de perda do capital investido. Rentabilidade passada não é garantia de rentabilidade futura. Leia o Aviso de Risco.